Valores Pessoais – Como se Formam?

Valores Pessoais – Como se Formam?
J. B. Pontes
Desde muito jovem sempre sentia uma revolta muito grande quando me deparava com tudo que me parecia injusto. Sempre tive uma tendência a colocar-me ao lado dos mais fracos, dos que sofrem e dos que são vítimas de qualquer tipo de injustiça. Isto é, até hoje, quase instintivo em mim. Quando percebo, já estou no “meio da briga”…
Já muito refleti sobre a origem dessa minha propensão, digamos assim, “quixotesca”. As vezes sou levado a pensar que não tem nada nesta vida que justifique ou explique esse meu modo de ser.
Quando criança/adolescente ouvia falar de Deus e não o entendia. E como pensava saber tudo, duvidava que Ele fosse justo e bondoso com todos. Levei foi tempo para compreender como a justiça de Deus se processa… Hoje não duvido mais Dele. E O agradeço por ter me dado uma mãe dedicada, guerreira, uma verdadeira heroína que, com todas as dificuldades, sempre procurou nos amparar, orientar e encaminhar para o bem… Eu e às minhas cinco irmãs cearenses.
Uma coisa que me revoltava era não saber porque fui nascer numa região tão difícil, sobre todos os aspectos: meio ambiente quase inóspito, ignorância, violência, injustiças sociais etc. E, ainda, no meio de uma família tão pobre e cheia de problemas… Sentia-me injustiçado e, por isto, ficava revoltado contra tudo. Fui uma criança triste e muito sofrida. Tinha uma percepção crítica aguçada e percebia todas as mazelas da sociedade em que nasci (com algumas exceções, é claro) e ficava cada vez mais calado e revoltado.
Durante a seca de 1958, por exemplo, com apenas 12/13 anos de idade, prometi a mim mesmo que um dia contaria num livro todas as injustiças e explorações dos pobres que assistia indignado… A minha sensibilidade espiritual fazia-me ver a nossa cidade como que imersa numa nuvem escura, com aqueles vultos esqueléticos, de feições tristes e preocupadas, se movendo em meio a ela… Percebia os ricos tornando-se mais ricos, mediante a exploração impiedosa dos que mais precisavam (quem se lembra da Casa Machado e do papel triste e impiedoso que exerceu durante aquele triste período?). Os recursos que vinham do governo federal chegavam já bem desfalcados aos mais necessitados.
Já muito sofri com as incompreensões que o meu modo de ser e agir causam em algumas pessoas, que me julguem mal, ou de forma incorreta, quando me veem fazendo coisas que, na visão da sociedade hodierna, aparenta ser uma busca de vantagens pessoais… Eu gosto de ajudar os outros, sem pensar em alcançar nenhuma retribuição com isto. Por mais inacreditável, na visão utilitarista da nossa sociedade, isto é a mais pura verdade.

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