Reorganização da Produção do Croché de Nova Russas– Capítulo 4

J. B. Pontes

Logo que criada a cooperativa de Croché de Nova Russas – que deverá ser independente, autônoma e administrada pelas próprias artesãs ou artesãos -, os primeiros esforços deverão ser:

a) a promoção de uma rigorosa padronização de insumos e da qualidade da confecção, visando uma classificação dos produtos a serem comercializados (Classe A, B, C…);

b) a formulação e estruturação de uma estratégia de comercialização audaciosa, com vistas à conquista de mercados nacionais e até internacionais, inclusive por meio da divulgação nas redes mundiais de computadores (criação de um site na internet);

c) busca de apoio e financiamentos dos órgãos governamentais competentes (Município, Estado e Governo Federal).

É claro que tem todo um trabalho sério de formação de mão-de-obra para a gestão administrativa da organização: formação de gestores, treinamento e padronização do trabalho dos próprios artesões. Mas nada que não possa ser realizado pela inteligência local.

Caso contrário, ficaremos na mesma situação em que estamos: uns poucos enriquecendo com a comercialização do croché e com a venda dos insumos e a esmagadora maioria dos artesões vivendo na mais profunda pobreza, numa reprodução da lógica do capitalismo que atualmente se pratica em nosso País, gerador de uma enorme exclusão social. E o que é pior: a inevitável e gradativa degradação da produção artesanal, sem nenhum padrão de qualidade, e a consequente perda de mercados.

Além da possibilidade de acesso a novos mercados e de obter apoio de programas governamentais, destaco outras vantagens da organização do trabalho nos moldes cooperativo:

– União dos esforços individuais de todos os artesões, no âmbito de uma grande organização (cooperativa), com foco não só econômico, mas também nas ações de assistência aos associados, nas áreas financeira, da saúde, da educação, da formação de mão-de-obra etc;

– promoção de uma justa distribuição da renda gerada;

– facilidade de acesso aos insumos, mediante a aquisição em escala (grandes quantidades), o que permitirá que ele seja fornecido aos sócios da cooperativa a preço de custo ou até mesmo subsidiado;

– organização de uma estrutura e de uma estratégia unificada de comercialização da produção de todos os artesões associados, o que, sem dúvida, possibilitaria a conquista de mercados nacional e até internacional (Por exemplo: não seria impossível sonhar-se como lojas da cooperativa em Fortaleza e – por que não? – em várias outras capitais brasileiras);

– criação de uma marca, designação geográfica e de origem para identificação do croché produzido artesanalmente em Nova Russas (a etiqueta “Croché de Nova Russas” significará a garantia de um produto de qualidade), mediante:

a) a padronização dos produtos e um rigoroso controle de qualidade do trabalho artesanal que, embora continue sendo produzido individualmente, passaria a atender padrões e exigências de qualidade da execução unificados;

b) classificação dos produtos que, ainda que mantendo o mesmo alto nível de qualidade de confecção (mão-de-obra), restariam diferenciados com base na qualidade do insumo (linha) empregado, de forma a atender à diversidade de consumidores.

c) fixação de um preço de venda justo, tendo em conta a classificação do produto;

Considere-se que – além dos consumidores internos – o turismo no Brasil está cada vez mais sendo promovido, estimulado e organizado pelo Governo e pela iniciativa privada. E os turistas gostam de produtos artesanais de qualidade e com preço adequado.

Vamos discutir seriamente o projeto da cooperativa dos artesões de croché de Nova Russas?

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