Os Políticos e os Partidos não Contribuem para a Construção da Democracia

J. B. Pontes

Todos concordamos que a democracia é, de longe, o melhor regime político que a cultura humana conseguiu alcançar, em especial por ter entre os seus principais objetivos a proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana – dentre os quais se destacam a plena liberdade e a igualdade -, aliada à oportunidade que a todos possibilita de organizar e participar plenamente da vida política, econômica e cultural da sociedade.

Mas não podemos esquecer que a democracia é um processo em permanente construção, principalmente em países como o nosso, onde ela é ainda muito frágil. Importa entender que, numa democracia, os cidadãos têm direitos, mas também têm o dever de participar e contribuir para o aprimoramento do regime político. Aliás, essa é a única forma de garantir e proteger os seus direitos e as suas liberdades.

A democracia exige, portanto, o esforço de toda a sociedade para ir sendo, pouco a pouco, aperfeiçoada e protegida, uma vez que, como toda construção cultural humana, ela tem as suas limitações e incoerências. E a maior delas é a de possibilitar que pessoas medíocres e sem compromisso com os valores democráticos cheguem ao governo. Só o voto consciente, exercido por cidadãos esclarecidos e participativos, pode impedir que essa tragédia aconteça ou tenha continuidade.

Enquanto a escolha dos governantes se fizer com base no poder econômico, principalmente com a vergonhosa e deplorável compra de votos – que é a prostituição da consciência cívica do cidadão, um ultraje à cidadania e, por extensão, à sociedade ­- jamais poderemos ter uma administração pública compromissada com o bem comum. Que compromisso com os interesses da sociedade tem um governante que se elege pela compra de votos? E, por outro lado, que moral têm aqueles que venderam o seu voto para cobrar qualquer atitude positiva dos governantes?

E é nesse ponto que os políticos e os partidos políticos prestam um desserviço à democracia do nosso País, prejudicando o seu aperfeiçoamento. Isto porque, apesar de os programas partidários pregaram a democracia, na prática nenhum esforço para a elevação da consciência dos cidadãos se registra. Ao contrário, é difícil se encontrar hoje no nosso País um governante que, para chegar ao poder, não tenha utilizado, de forma direta ou indireta, a captação ilícita de sufrágio, mediante a utilização do poder econômico.

Na verdade, nem mesmo em suas atividades internas os partidos políticos exercitam a democracia. Em geral, essas entidades, de grande relevância social, já nascem “mortas”, com “donos”, verdadeiros ditadores, que impedem de todas as formas a prática democrática interna e direcionam a atuação da entidade sempre para o alcance de interesses individuais ou de grupos. E é, dessa forma, que em nada contribuem para o aperfeiçoamento da democracia e da gestão dos recursos públicos.

Nasce daí a necessidade e o dever de todos agir para desenvolver na sociedade uma consciência crítica sobre a importância do voto, que deve ser decidido com base no perfil do candidato – na sua capacitação intelectual e moral para o exercício do cargo pleiteado e no projeto de governo que se compromete a executar. E essa deveria ser uma das missões mais importante dos partidos políticos.

Enquanto isto não acontecer, estaremos sempre às voltas com a corrupção, com a malversação dos recursos públicos, com a gestão pública ineficiente e todas as mazelas que impedem o desenvolvimento socioeconômico da sociedade.

É por isto que conclamamos a todos os cidadãos de bem, que querem contribuir para uma sociedade mais justa, fraterna, solidária, coesa e igualitária: vamos invadir os partidos políticos, nos filiar e exigir, primeiramente, que se pratique a democracia na sua gestão e na tomada de decisões internas. Em seguida, vamos exigir uma atuação partidária que possa contribuir decisivamente para elevar a consciência dos eleitores e banir de vez a abominável captação ilícita de sufrágio (compra de votos). Política é uma atividade muito importante para as nossas vidas. Não podemos deixá-la inteiramente nas mãos dos políticos!

Nos municípios em que os políticos e os partidos políticos fizerem um pacto para desenvolver atividades visando elevar a consciência do eleitorado, no sentido de eliminar o uso do poder econômico na eleição dos gestores públicos, e incentivar a participação da sociedade na gestão dos seus interesses, sem dúvida assistiremos o surgimento de um novo período de grande desenvolvimento socioeconômico e de florescimento artístico, cultural e científico.

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