Eleições e Expectativas de Mudanças

Eleições e Expectativas de Mudanças
J. B. Pontes

Nestas eleições, não condenaremos ninguém por votar em A, B ou C. Sabemos perfeitamente qualquer um deles, se eleito, mudará tudo para que tudo continue como está. Verificamos que, em todos os municípios, não temos boas opções para votar.
Ainda estamos restritos aos candidatos indicados pelos partidos ou coligações. E os nossos partidos, como sabemos, não têm uma prática democrática interna e nem a participação de significativas parcelas da população em seus quadros. Estão dominados pelas elites e oligarquias, bem como pelo poder econômico, em todos as esferas da federação. Conseguem apoio para candidatar-se aqueles que tem melhores condições para custear uma campanha cara e comprar votos. Na maioria dos casos, trata-se mais de uma disputa pelo poder entre famílias oligárquicas e não entre partidos políticos.
Não desconhecemos alguns avanços que estamos conseguindo nessas atuais eleições, por força da legislação e da ação do Ministério Público, que tem atuado com o objetivo de estabelecer condições mais igualitárias de concorrência aos candidatos, em especial por meio do barateamento das campanhas. Mas não acreditamos que possamos resolver isto unicamente por meio de leis. Precisamos do apoio dos eleitores, o que só ocorrerá, pensamos, com a elevação da consciência destes.
Sem uma prática democrática interna e maior participação da sociedade nos partidos, continuaremos sem boas opções para votar. Os candidatos que se apresentam atualmente não deixam dúvidas que teremos a continuidade da hodierna situação. É mais do mesmo.
O que deveria ser feito para mudar, de fato, a situação, rumo a um futuro melhor para todos?
Só vemos um caminho árduo e demorado:
1) Maior conscientização social e política do nosso povo, visando ampliar a compreensão, especialmente sobre cidadania e democracia;
2) maior envolvimento da sociedade com a política (partidos políticos), para possibilitar mais e boas opções de voto nas eleições, mediante a prática interna da democracia; e
3) Uma constituinte técnico-jurídica especialmente convocada para promover a reforma política. Pessoas com formação adequada, sem filiação a partidos, sem qualquer remuneração (só despesas de estadia, transporte, alimentação etc.) e com o compromisso de que não serão candidatos nos próximos dez anos.
É um projeto audacioso, que deve ser desenvolvido pela própria sociedade, em cada município, com a participação das escolas, igrejas e de todas os demais movimentos sociais existentes. Esperar reformas políticas adequadas com este atual quadro político é pura ilusão. A última reforma política nos deu prova disto: Um verdadeiro acinte à sociedade(*).
É isto que pensamos. Mas estamos abertos para examinar e discutir outras propostas…

(*) Leia meu artigo “A anti-reforma Política”, disponível em joaobpontes.com

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