Democracia à Brasileira

Democracia à Brasileira
J. B. Pontes

Constitucionalmente somos uma democracia, um regime de governo que deveria orientar-se com absoluto respeito às leis, que deveriam ser iguais para todos. Isso o que está na Constituição (art. 1º), que dispõe ainda que “todo poder emana do povo”.
Mas, infelizmente, conforme já enfatizamos em vários artigos, não basta a democracia ser garantida na Constituição. Isto é muito importante porque indica o sentimento e a vontade de todos. Ela precisa ser construída dia a dia, mediante o esforço e a participação de todos os brasileiros, principalmente dos políticos e de todas as instituições nacionais.
E nós nos esquecemos disto e deixamos a nossa democracia morrer. Ao ponto de termos um presidente, que chegou ao poder por métodos e de forma condenáveis, que tem o apoio de menos de 5% da população e, apesar de tudo isto, ainda se julga legitimado para promover profundas e atrozes reformas, impondo enormes sacrifícios e ferindo direitos e garantias da população mais carente, notadamente dos trabalhadores. Age unicamente para atender aos interesses do poder econômico.
Numa verdadeira democracia, um governo com esse ínfimo percentual de aprovação, por uma simples questão de honra pessoal e de respeito aos ditames da Carta Magna, já teria de há muito renunciado.
E mais, esse presidente ilegítimo ainda foi denunciado por corrupção passiva pela autoridade competente, a Procuradoria-Geral da República. Um absurdo sem precedentes que, em qualquer País que valorize, defenda e respeite a sua democracia, não ficaria mais nem um dia à frente do governo.
Mas o Brasil é um País que tem uma sociedade passiva que, às vezes, reage motivada pela grande mídia, mas não dá continuidade à sua ação em defesa da democracia e do combate ao nosso maior problema: a corrupção. É uma sociedade covarde, manipulada e dividida.
De um lado, uma elite horrível, que jamais demonstrou qualquer compromisso com a Nação e que se comporta de forma caricata e burlesca. Sem exagero, podemos dizer que a nossa elite preferiria muito mais que o País fosse encampado pelos americanos, mesmo que fossem considerados cidadãos de segunda classe. E de outro lado, uma massa de pessoas sem qualquer consciência social e política, facilmente manipulável, e que, a cada dia, se distancia dos valores culturais, morais e de cidadania.
Esse “status quo” permite, por exemplo, as recentes manifestações na imprensa contra o Procurador-Geral da República, feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e pelo próprio presidente da república ilegítimo, as quais constituem um atentado ao livre exercício do Ministério Público, suficiente para caracterizar o crime de responsabilidade previsto no art. 85, II, da Constituição Federal.
E praticam esses desrespeitos à Constituição, e outros até de maior gravidade, na certeza da impunidade, diante da deterioração de todas as instituições que deveriam combatê-los. E, como todos sabemos, com o propósito único de desqualificar a iminente nova denúncia da PGR contra atos ilícitos vergonhosamente praticados pelo presidente ilegítimo.
Acordem brasileiros. Há um trabalho imenso a ser feito por todos para reconstrução e consolidação da nossa democracia!

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