A Vergonhosa Crise Política Brasileira

J. B. Pontes

O PT está pagando caro pelas escolhas erradas que fez, desde o início do seu primeiro governo. Naquela oportunidade, o então Presidente Lula, eleito por larga maioria, contava com um imenso capital político, que lhe credenciava a promover uma nova forma de relacionamento Executivo–Parlamento, baseada nos interesses do País. Tal atitude teria sido, sem dúvida, respaldada pela maioria da população brasileira, que ansiava, como ainda anseia, por mudanças.

Ao revés, ele (Lula) acanhou-se e preferiu continuar com o mesmo tipo de relação com o Congresso Nacional mantida por seus antecessores, baseada no fisiologismo, nos interesses pessoais ou de grupos e nas trocas de favores. Elegeu como principal aliado um partido fundamentalmente fisiológico e, por consequência, ao que havia de mais ruim na classe política brasileira, ressuscitando figuras como Sarney, ACM, Collor, Renan, Barbalho etc., sob a justificativa de que era preciso manter a governabilidade. Esta lamentável opção desaguou, primeiro no denominado mensalão, depois na incomensurável crise da lava jato e outros escândalos, e agora nesta deplorável crise política.

De fato, é estarrecedor e vergonhoso o que está acontecendo com a nossa classe política e com o nosso Parlamento, especialmente com a Câmara dos Deputados, comandada por um político suspeito de manter contas bancárias secretas na Suíça, com depósitos provenientes do recebimento de propinas e acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Por isto, e por ter mentido aos seus pares, ao negar que mantinha tais contas irregulares no exterior ­- o que veio a se confirmar -, foi denunciado ao Conselho de Ética da Casa, onde já foi apresentado e aprovado parecer favorável à abertura de processo de cassação do seu mandato.

Apesar das acusações, o peemedebista Eduardo Cunha, que ocupa o importante cargo de Presidente da Casa do Povo, conserva o apoio de uma verdadeira “tropa de choque” ou “máfia”, igualmente corrupta, que lhe dá respaldo para promover toda sorte de manobras, com vistas a impedir o regular andamento do processo de sua cassação em tramitação no Conselho de Ética. Por tudo isto, fatos mais absurdos estão acontecendo naquela Casa, dando ensejo a espetáculos deprimentes (brigas, discussões e acusações de baixo nível, manobras regimentares escusas etc.), que a todos nós envergonham, depõem contra o Parlamento Brasileiro e contra a imagem internacional da nossa Nação. A Casa que deveria ser um foco de discussão de matérias do mais alto interesse do País, transformou-se em verdadeiro “ringue” e num antro de discussões do mais baixo nível, a demonstrar que a deterioração da nossa classe política alcançou níveis jamais imaginados.

Não bastasse tudo isto, o Deputado Eduardo Cunha, por simples capricho, represália ou vingança pessoal por ter perdido o apoio dos parlamentares do PT no Conselho de Ética, onde está sendo analisado o processo de sua cassação, resolveu acatar e dar andamento ao processo de impeachment da Presidente da República, complicando ainda mais a crise e dividindo de vez a nossa classe política, exatamente em um momento delicado e complexo, quando mais precisaríamos de união para enfrentar a grave crise econômica que estamos vivenciando.

Por mais que possamos estar insatisfeitos com o desempenho do governo petista, não podemos compactuar e deixar de repudiar a forma como está sendo conduzido o processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, sobretudo pelas expectativas pouco promissoras do governo que eventualmente a sucederá, ao que tudo indica intimamente vinculado à verdadeira “quadrilha” que está promovendo o processo legislativo de sua cassação.

Faltam-nos verdadeiros estadistas, preocupados com os interesses maiores da Nação; faltam-nos instituições fortes capazes de impedir que os interesses pessoais ou de grupos possam interferir e ditar os destinos do nosso País; faltam-nos políticos identificados com o que é melhor para o País e não com os seus próprios interesses.

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