Como Avançar no Processo Democrático?
J. B. Pontes

Passados 128 anos, ainda se discute no Brasil a legitimidade da Proclamação da República. Para a maioria dos historiadores, esse evento histórico não passou de um golpe militar, apoiado por uma minoria formada por latifundiários, especialmente os cafeicultores paulistas, pela maçonaria, por segmentos da igreja e por intelectuais – jornalistas, advogados, médicos, engenheiros, alunos das escolas superiores -, que sonhavam com a democracia e se empenharam na propaganda das ideias republicanas e democráticas.
Sem dúvida, o Imperador deposto, D. Pedro II, era um homem culto e respeitado, talvez o mais honrado governante que o nosso País já teve. E, naquele momento histórico, a sua deposição foi inegavelmente um ato injusto. No entanto, todos os fatores conspiraram favoravelmente para a eclosão do evento.
De fato, as ideias republicanas e democráticas, em efervescência no mundo inteiro, exerciam um enorme atrativo e provocavam entusiasmo nas mentes dos intelectuais e dos jovens estudantes brasileiros, ao ponto de levá-los a esquecer que a democracia só existe com a participação do povo. E, naquele momento, era fato notório que o povo não tinha a menor condição de participar, como de fato não participou daquele evento, por absoluta falta de entendimento, de consciência política e social.
Para legitimar o golpe, seria necessário que, logo em seguida, tivessem sido implementadas reformas democratizantes e inclusivas, para consolidar a república democrática tão sonhada pelos intelectuais, o que lamentavelmente, não ocorreu. Incorporar plenamente o povo ao sistema democrático é um problema que, infelizmente, permanece sem solução até os nossos dias.
Por isto, continuamos com uma democracia “capenga”, sem povo, sujeita a continuados golpes, como o que assistimos recentemente, que está promovendo um enorme retrocesso em relação a alguns avanços que tínhamos conquistado nos últimos anos.
Temos defendido, em vários artigos anteriores, que somente por meio de ações de segmentos mais conscientes da sociedade civil, organizados em associações especificamente formadas com esse fim, poderemos ajudar a elevar a consciência social e política do nosso povo, de forma que todos tenham condições de participar do processo político.
Só assim nós poderemos deixar de ser uma nação que vive a espera de um salvador que resolva todos nossos problemas e nos deixe despreocupados, hipótese que, como todos sabemos, não existe.

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